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Clarabóia

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17.10.20

Viagens | Olga Tokarczuk


Raquel Patrício

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O livro "Viagens", de Olga Tokarczuk, acompanhou-me nas minhas férias durante algumas viagens que fiz pelo nosso belo país. Não foi uma escolha propositada, embora pareça! Era um livro que há muito me tinha despertado curiosidade e que me deixou com um misto de opiniões antagónicas.

Em primeiro lugar, já há bastante tempo que tinha curiosidade em ler algo desta escritora polaca, vencedora do Nobel com este mesmo livro. Já li tantas críticas positivas ao seu trabalho que tinha imensa curiosidade em como seria a escrita e em como se desenrolaria a narrativa deste livro. "Viagens" é um livro que aborda a essência de viajar, de ser peregrino, de ser nómada e livre. É um livro repleto de passagens absolutamente incríveis, bastante filosóficas, e que nos faz repensar a noção de lar, de casa e do tempo... O título original da obra é "Bieguni" - nome dado a todos aqueles que rejeitam o estilo de vida sedentário e acreditam que o movimento é essencial para evitar a tragédia. 

Debruçada no topo do dique, fitando a corrente, dei-me conta de que, apesar de todos os perigos, tudo o que está em movimento é sempre melhor do que aquilo que está em repouso, que a mudança é mais nobre que a estabilidade, que tudo o que estagna acabará por sofrer decomposição, degeneração e transformar-se-á em pó, enquanto aquilo que está em movimento consegue durar eternamente.

"Viagens" é composto por várias histórias de diferentes tipologias: umas são apenas pequenos excertos desconexos, sem início nem fim lógico; outras são histórias com narrativas que se desenvolvem um pouco mais e que nos permitem analisar algum dilema que determinada personagem esteja a viver; outras são baseadas em factos históricos, bastante precisos e detalhados... Embora não exista uma forma uniforme para nos apresentar todas as histórias, estas têm algo em comum - todas falam de viagens, quer no sentido físico ou espiritual.

Inicialmente, este livro não me cativou. É um livro bastante denso, com muitas páginas, e que exige muito de nós: em primeiro lugar, muita atenção para não nos perdermos no meio de tantas histórias desconexas e, em segundo lugar, reflexão para podermos acompanhar a viagem espiritual que nos é apresentada. Por outro lado, a escrita de Olga Tokarczuk é tão sublime que rapidamente ficamos encantados com todas estas histórias.

Confesso que foi um livro que se arrastou, que tem uma leitura pesada e não flui naturalmente... Contudo, acho que a sua leitura exige isso mesmo: tempo para saborearmos cada passagem, cada palavra e para refletirmos sobre a nossa missão de vida. 

Avaliação: 7/10

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