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Clarabóia

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15.04.21

Uma Questão de Conveniência | Sayaka Murata


Raquel Patrício

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Vi por esse mundo do Instagram alguém dizer que este livro, "Uma Questão de Conveniência", era bastante semelhante ao "A Educação de Eleanor" (um livro incrível que recomendo muito!) e, por isso, decidi comprá-lo. Mas foi uma desilusão, da primeira à última página...

A personagem principal do livro é Keiko, uma jovem mulher de 36 anos que, aos olhos da sociedade, é vista como "fora da validade". Keiko sempre teve uma personalidade particular (é esta a única semelhança com Eleanor): nunca encaixou nos padrões de normalidade impostos pelo mundo. Podemos dizer que pelos seus pensamentos e atitudes, Keiko seja considerada uma psicopata. Neste caso, não por infligir mal a alguém, mas sim pela sua falta de empatia e de sentir emoções. O único sítio onde Keiko se sente "normal" é no seu trabalho, num supermercado, onde desempenha as funções de funcionária - que, para si, são muito mais naturais que as funções de ser humano. 

Toda a gente precisa de encaixar no padrão, temos de caminhar sempre todos à mesma velocidade.

Sinceramente, para mim, este livro fez-me lembrar muito mais "A Metamorfose", de Kafka, do que "A Educação de Eleanor". O único aspeto que gostei foi a crítica inerente ao facto das mulheres terem um "prazo de validade" - parece que existe uma idade certa para viver com alguém, para casar, para ter filhos... como se não existissem várias realidades possíveis de suscitar verdadeira felicidade a cada uma de nós. Na vida, não existe o certo ou o errado relativamente ao futuro. Cada pessoa tem o seu certo, a sua felicidade. No livro, o facto de todos que rodeavam Keiko (fosse a família, colegas de trabalho ou amigos) sentirem-se no direito de opinar (mesmo sem solicitação) sobre a sua vida, fez-me pensar no nosso papel individual e no impacto que certos comentários que, para nós, são inofensivos podem causar na vida das pessoas que os ouvem.

Tal como com o "A Metamorfose", não sei bem o que pensar deste livro... pessoalmente, não é mesmo o meu género. Mas admito que a crítica é interessante e a escrita não é má. Para quem quiser ler algo diferente do habitual, é uma boa leitura!

Avaliação: 5/10

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