Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Clarabóia

Clarabóia

17.04.21

The White Tiger (2021)


Raquel Patrício

white-tiger.png

"The White Tiger" estreou a 22 de janeiro deste ano e, desde então, tem sido bastante falado! É baseado no livro homónimo, escrito por Aravind Adiga, vencedor do prémio Man Booker, e foi uma aposta de adaptação por parte da Netflix, em 2019.

Logo de início, o filme remete-nos um pouco para o "Quem Quer Ser Bilionário" - passado na Índia, com uma história que pretende retratar a ascenção de um miúdo pobre e as dificuldades que passou na sua caminhada até ao sucesso. O protagonista deste filme é o jovem Barlam Halwai, cuja família sempre foi bastante pobre. Na sua infância, o menino foi reconhecido como sendo muito inteligente e comparado a um tigre branco - um animal muito raro, que surgia esporadicamente a cada geração. E, desde aí, pensou sempre como poderia ter um futuro melhor e um destino diferente do dos seus antepassados. Acabou por arranjar emprego como motorista numa família de corruptos e, mais tarde, elaborar um esqueça para se emancipar.

Achei bastante interessante a abordagem do filme em passar o "habitat" natural dos indianos - uma mensagem crua e dura, da pobreza e condições escravatórias em que algumas pessoas vivem. A analogia à questão do galinheiro: as pessoas que servem são eternamente submissas, nunca se revoltam contra o sistema, pois não vêem qualquer escapatória. Estão tão embrenhados naquele mundo, naquela rotina, que lhes é impossível pensar diferente. Acaba por ser uma espécie de síndrome de Estocolmo, entre os criados e os seus donos, uma admiração e submissão eternas, independentemente da forma como são tratados. Gostei bastante da forma como exploram o estilhaçar desta imagem perfeita que Balram tinha dos seus patrões que, para ele, eram adorados como deuses. Outro ponto muito interessante foi a rutura dos laços que Balram tinha com a família, libertando-se das amarras aos costumes que o sufocavam.

O aspeto que menos gostei foi a duração do filme, cerca de duas horas e dez minutos. Achei que, para a mensagem que era pretendido transmitir, foi mesmo muito extenso. Muitas vezes, tive que me esforçar para manter a atenção. Contudo, tem pormenores super interessantes como, por exemplo, o final que nos mostra que o sobrinho que Balram está a criar, se está a transformar naquilo que o mesmo pretendeu destruir de início.

Fiquei com  curiosidade para explorar o livro, acho que é capaz de estar mais enriquecedor e com detalhes mais bem elaborados, sem tantos floreados e coisas para "encher". É um filme com uma visão super interessante sobre a Índia, o sistema de castas, os seus costumes, a política e a corrupção tão evidentes que enfraquecem toda a sociedade. 

Deixo aqui o trailer para quem ficou com curiosidade:

Avaliação: 7/10

1 comentário

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.