Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Clarabóia

Clarabóia

20.02.21

O Retrato de Dorian Gray | Oscar Wilde


Raquel Patrício

IMG_2262.jpg

Este livro foi a minha escolha para o mês de fevereiro para o desafio da Rita da Nova, Uma Dúzia de Livros. O tema deste mês era "um livro fora da tua zona de conforto" e achei que este seria a escolha acertada, um romance filosófico, que não é algo que habitualmente leio.

A personagem principal do livro é, como o título nos indica, Dorian Gray - um jovem, na casa dos seus 20 anos, aristrocata, com uma beleza característica e inconfundível. O seu charme e encanto deliciam todos à sua volta, que são atraídos por Dorian e ficam fascinados com a sua beleza. A história começa com Dorian a servir de modelo para o artista Basil Hallward, que está rendido aos seus encantos, e que vê nesta personagem uma inspiração capaz de elevar a sua arte. Na verdade, Basil está de certa forma apaixonado por Dorian, e este quadro será a sua obra-prima, pelo amor e empenho que coloca na sua criação. Durante este encontro, surge outra personagem que será determinante para o desenvolvimento da personalidade de Dorian: Lorde Henry Wotton. De certa forma, Lorde Henry também é um apaixonado pela vida e pelos seus mais variados prazeres. Lorde Henry vai ter uma influencia muito grande na construção da personagem de Dorian, irá introduzi-lo aos prazeres do mundo, aos seus encantos e aos seus pecados, aliciando-o a pensar de forma diferente. 

Porque influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são naturais. Os seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o ator de um papel que não foi escrito para ele.

Dorian tinha uma visão toldada pela beleza. O seu maior desejo era manter a sua imagem, imagem retratada por Basil no seu retrato. Assim, pede para não envelhecer, para que a sua beleza, tão fielmente retratada no quadro do seu amigo, seja eterna. Com o passar dos anos, Dorian apercebe-se que o seu pedido foi concretizado e que a passagem dos anos não é sentida no seu rosto, mas sim no quadro, que guarda o segredo dos pecados experienciados. Esta descoberta transtorna completamente Dorian Gray, que fica obcecado em esconder de todos o seu segredo. 

O objetivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total perceção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo. Hoje em dia, as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmas.

O livro tem uma reviravolta surpreendente e um final digno da grande obra que é. A leitura é simples, com passagens deliciosas. Faz-nos refletir bastante sobre a nossa existência e sobre a perceção que temos do mundo que nos rodeia. 

Avaliação: 7/10

1 comentário

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.