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Clarabóia

Clarabóia

23.03.21

O Pintassilgo | Donna Tartt


Raquel Patrício

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Este é um daqueles livros que já me tinham recomendado inúmeras vezes mas que foi necessária uma certa dose de coragem para o começar! Isto porque pegar num calhamaço de quase 1000 páginas, mete respeito. Decidi que seria a minha leitura de férias e, assim que surgiu a oportunidade, aventurei-me.

Na verdade, foi uma leitura bastante prazerosa. Apesar do tamanho, é um livro com descrições que nos transportam para o cenário com uma realidade quase palpável, o que me agradou bastante. Theo é um jovem de 13 anos quando perde a sua mãe num terrível acidente: ambos estão a visitar um museu, com o objetivo de verem o famoso quadro, "O Pintassilgo", de Carel Fabritius, quando ocorre um atentado. Na explosão que aconteceu, várias pessoas ficaram feridas e, muitas, perderam a vida - sendo, uma delas, a mãe de Theo. Durante a visita, Theo está fascinado com uma jovem menina ruiva e um senhor de mais idade que a acompanha, que o mesmo depreende ser o seu avô. Após a explosão, Theo é um dos sobreviventes, e está ao lado deste misterioso senhor, que lhe entrega o quadro que ambos admiram e um anel, dando-lhe instruções para o entregar num local. 

Nos acontecimentos que se seguem, percebemos que a vida de Theo irá mudar drasticamente. De um momento para o outro, o mesmo vê-se sem ninguém, uma vez que o seu pai o tinha abandonado, e à sua mãe, cerca de um ano antes, sem deixar rasto. Assim, Theo acaba por ir viver com uma família amiga, os Barbours, até ao final do ano letivo. Passado algum tempo, vai ao local que o senhor da explosão lhe indica, e depara-se com uma loja de antiguidades. Aqui, conhece Hobie, um dos sócios da loja (Welty, o senhor que faleceu, era o outro sócio). Devolve-lhe o anel e travam uma estranha e particular amizade. Fica também a conhecer Pippa, a menina ruiva que tanto o encantou, que também foi uma das sobreviventes da explosão. 

Entretanto, o pai de Theo regressa (talvez movido pelo dinheiro dado pela companhia de seguros pelo acidente) e leva-o consigo e com a sua nova namorada, Xandra, para Las Vegas. A vida de Theo, já cheia de mudanças, dá mais uma reviravolta. Apesar de ser um jovem bastante inteligente e promissor, Theo cresce sendo um rapaz problemático, com uma grave adição em álcool e drogas, para se tornar num adulto transtornado pelo seu passado. A única constante na sua vida é o seu precioso quadro, um lembrete permanente da sua mãe, que o guarda com o maior cuidado, como uma relíquia. 

Bem, penso que não vou dar mais detalhes sobre o resto da história, porque senão estragaria a surpresa de grande parte do livro! Para mim, foi um livro bastante intenso. Uma história profunda sobre crescimento, tristeza e dor. Percebemos como um único acontecimento moldou todo o crescimento de Theo, danificou-o tão profundamente, alterou por completo aquilo que era a sua personalidade o que poderia ser o seu futuro. 

Mas, por vezes, inesperadamente, a dor avassalava-me em ondas que me deixavam ofegante; e quando as ondas recuavam dava comigo a olhar para uns destroços insalubres, iluminados por uma luz tão lúcida, tão deprimente e vazia que mal coonseguia recordar que o mundo alguma vez tinha estado outra coisa a não ser morto.

O Theo era um jovem bom, com boas intenções e um excelente coração. Um menino que, desde cedo, mostrou-se muito inteligente e observador do seu ambiente. Porém, algo que ele nunca poderia controlar ou impedir de acontecer, marcou-o tão intensamente ao ponto da sua vida ter ido por um rumo completamente diferente daquilo que era suposto.

É uma história verdadeiramente triste e nostálgica. Contudo, apesar disso, recomendo muito! É um livro grande, sim. Mas que se lê muito rapidamente e com uma história bastante envolvente.

E por aí, já leram "O Pintassilgo"?

Avaliação: 9/10

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