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Clarabóia

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02.02.21

Mataram a Cotovia | Harper Lee


Raquel Patrício

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Este é um daqueles clássicos que já há bastante tempo que me suscitava interesse. Já o tinha na minha mesinha de cabeceira há imenso tempo, mas parecia que nunca existia um timing perfeito para o iniciar. Até que decidi entrar no clube de leitura da Rita da Nova (Uma Dúzia de Livros) e o tema do mês de janeiro encaixava na perfeição: um livro que toda a gente leu menos tu. 

O enredo da história ocorre nos anos 30, no estado do Alabama, numa cidade chamada Maycomb, e é sobre um advogado, Atticus Finch, que está a defender um homem negro (Tom) que foi injustamente acusado de ter violado uma mulher branca. A história é contada da prespetiva de Scout, a filha mais nova de Atticus, que nos faz acompanhar o desenrolar desta história numa perspetiva de uma menina astuta com menos de 10 anos. O Atticus representa os valores morais que todas as sociedades deveriam ter: um homem íntegro que lutava pelo que estava certo, independentemente das dificuldades e das repercursões. Além desta temática importantíssima relativa ao racismo, o livro também nos mostra, através de Atticus, um pai ortodoxo para a altura: criou os seus filhos sozinhos, devido ao falecimento da sua mulher precocemente, e encorajou-os sempre a pensarem de forma diferente e a lutarem pelos seus objetivos. Apesar de ser muito criticado pela liberdade que lhes dava, especialmente a Scout que era uma menina e esperava-se que gostasse de "coisas de raparigas", Atticus sempre os desafiou a serem uma melhor versão de si mesmos. 

Coragem é sabermos que estamos vencidos à partida, mas recomeçar na mesma e avançar incondicionalmente até ao fim.

Um dos aspetos que mais me deliciou nesta leitura foi a descrição das brincadeiras inocentes das crianças, o facto de ter acompanhado alguns anos do crescimento e a forma como as mudanças que ocorreram nos dois irmãos afetavam a sua relação. De melhores amigos, companheiros de aventuras e sempre inseparáveis até ao papel de irmão mais velho que é como uma segunda imagem paternal a educar a Scout. Adorei esta transformação da relação dos dois, assim como a analisar a prespetiva da Scout sobre as mudanças que o seu irmão Jen estava a passar. 

Por fim, outro ponto de destaque, na minha opinião, é a escrita repleta de metáforas que enriquecessem bastante o livro. A principal e mais impactante é, sem dúvida, o próprio título "Mataram a Cotovia". No livro, existe uma passagem em que o Atticus explica aos filhos que é errado matar as cotovias, pois estes animais não trazem nenhum mal à sociedade, apenas cantam e deslumbram com essa característica. A cotovia representa a inocência, que foi morta neste livro, pela sociedade, pelo racismo, pelos preconceitos. A cotovia pode até simbolizar várias personagens do livro que foram vítimas do mal pela falta de justiça, imparcialidade e valores das pessoas que constroem a sociedade. 

Agora tenho bastante curiosidade de ler a continuação "Vai e Põe uma Sentinela" que conta, igualmente, com a fantástica personagem de Scout. 

Por aí, fãs de Harper Lee? Que livros já leram desta autora?

Avaliação: 10/10

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