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Clarabóia

Clarabóia

06.04.21

Lá, Onde o Vento Chora | Delia Owens


Raquel Patrício

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"Lá, Onde o Vento Chora" é um daqueles livros que andou pelo Instagram a ser infinitamente publicitado. Se, no início, tive imensa curiosidade com a sua leitura, parecia que quanto mais via recomendações do mesmo, mais perdia a vontade de me aventurar na sua leitura. Não sei se é comum isto vos acontecer. Porém, a mim, acontece-me com alguma frequência. Assim, foi proposto por uma amiga lermos este livro para um clube de leitura que temos, durante o mês de março, e surgiu, então, a oportunidade.

Confesso que o livro me cativou imenso! Acho que não consegui ficar absolutamente maravilha, embora tenha gostado muito, porque recentemente tinha lido o "Uma Educação", que é bastante semelhante mas que se tornou numa leitura mais envolvente e intensa por ser uma história verídica, ao passo que a história de Kya, a personagem de "Lá, Onde o Vento Chora" é ficcionada. 

A história começa enquanto Kya é ainda bastante nova, com cerca de 6-7 anos, e a sua mãe decide abandonar a família. Desaperece, simplesmente. Kya vê os membros da sua família a desaparecerem, um por um, movidos pelo sofrimento diário de viverem com um pai alcoólico e violento. Acaba por restar só ela e o pai. Como este não tinha propriamente uma rotina (vinha para casa às horas que lhe apetecia, geralmente bêbedo, seguido de períodos em que desaparecia durante dias), Kya teve que começar a desenrascar-se sozinha. A sua família vivia perto de um pântano, bastante isolada do resto da população. Assim, esta menina vai aprendendo com a natureza e refugia-se no seu pântano, observa o comportamento das aves, como é que a fauna e a flora florescem à sua volta. Inevitavelmente, o pai também acaba por nunca voltar. Kya começa a pescar marisco e peixe para vender, como fonte de rendimento. 

Em paralelo com estes capítulos que descrevem a infância de Kya, acontece outra parte da história, em 1969, uns anos depois. Neste futuro, um rapaz da cidade apareceu morto, em causas dúbias, e é iniciada uma investigação. 

As duas histórias vão, desta forma, evoluindo em paralelo. Por um lado, observamos Kya a tornar-se uma jovem adulta, a sua primeira paixão por Tate, um jovem bondoso que vivia "relativamente" perto (era uma viagem de 40 minutos de barco) e que lhe ensinou a ler. Observamos a sua curiosidade pelo mundo, a sua solidão, o seu receio em envolver-se... tudo isto a desenvolver uma mulher misteriosa e inteligente. Por outro lado, esta morte por desvendar vai também ganhando mais contornos, vão-nos sendo apresentadas mais pistas o que nos permite ir tecendo algumas teorias sobre o que terá realmente acontecido. 

Gostei bastante do ritmo do livro. A primeira parte, com um desenrolar mais lento, tem descrições riquíssimas sobre o pântano e a natureza, praias desertas, locais misteriosos rodeados pela natureza que nos transportam para um universo paralelo. A segunda parte ganha um ritmo muito mais acelerado e envolvente, que fica melhor a cada página lida. É um livro que se lê muito bem e rapidamente, com uma escrita muito interessante. O facto da autora ser zoologista enriqueceu bastante as descrições dos animais e das plantas, com factos muito curiosos sobre os seus ciclos de vida, os seus hábitos e outros pormenores. 

Sinto que podia ter gostado mais do livro se não tivesse uma comparação tão presente com "Uma Educação" que, para mim, foi um livro simplesmente sensacional. Contudo, apesar disso, reconheço o seu valor e acho que é uma história muito muito boa! Li algures que terá uma adaptação para filme, o que é bastante justo e parece-me que ficará um resultado muito interessante.

Avaliação: 7,5/10