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Clarabóia

Clarabóia

16.06.21

Daqui a 5 anos... | Rebecca Serle


Raquel Patrício

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Sabem aqueles livros que, apesar de não serem nada o vosso estilo, aparecem no timing certo e, por isso, acabam por mudar um pouco a vossa opinião sobre o género? Pois, foi isto que me aconteceu.

Este livro apareceu num Clube de Leitura que dinamizo e foi proposto ser a leitura do mês de maio. Acho que estavámos todas numa fase em que precisavamos de um livro mais "soft" e embarcamos nesta aventura. A história, como podemos logo constatar, é um romance. Porém, não tem o final que esperamos!

A história é centrada em Dannie, uma advogada bastante ambiciosa que tem toda a sua vida planeada. O livro inicia-se num dia que vai mudar tudo para Dannie: esta sabe que vai ser pedida em casamento naquele dia, num local específico com que sempre sonhou, e, além disso, vai a uma entrevista para o seu emprego de sonho. Estão a ver aquelas pessoas que planeiam e idealizam tudo nas suas vidas? Dannie é essa pessoa. E, a verdade, é que tudo acontece conforme o plano. Porém, após chegar a casa com o seu noivo, Dannie adormece no sofá e tem um sonho com a sua vida, precisamente dali a 5 anos. Percebe que não está na sua casa de sonho, não vive na cidade que queria e está com um homem que não conhece. O sonho é tão vívido que rapidamente Dannie entende que é muito mais do que isso: ela está realmente a viver aquele dia da sua vida, no futuro. O resto do livro acompanha os 5 anos seguintes da sua vida e como toda a história se desenrola até esse momento.

- Não compreendes o amor. Pensas que tem de ter futuro para ter importância, mas não é assim. É a única coisa que nunca tem de vir a ser algo. Só é importante porque existe. Aqui. Agora. O amor não requer um futuro.

Não vou desvendar mais nada sobre a história porque iria estragar por completo a surpresa para quem quer ler. Só vos digo, nada é o que parece! Foi um livro que veio quebrar um bloqueio literário que estava a ter. Tive que abandonar uma leitura que tinha em mãos porque, simplesmente, não estava a dar. Estava a ser penoso. E, como precisava de algo mais leve e fácil de ler (apesar de todo o choro que envolveu), este livro realmente apareceu no momento certo. Fez-me refletir bastante sobre as relações: sobre o facto de, por vezes, vivermos tão alienados daquilo que é a nossa vida presente porque só pensamos naquilo que queremos construir, que não percebemos que não estamos no caminho certo. 

Temos estado a avançar em linhas paralelas, David e eu. Sempre em movimento, mas sem nunca nos tocarmos, com medo de fazermos o outro descarrilar. Como se, ao estarmos alinhados na mesma direção, nunca tivéssemos de fazer cedências nos nossos objetivos. Mas o problema das linhas paralelas é que podem estar encostadas uma à outra ou a quilómetros de distância. E, ultimamente, sinto que o espaço que me separa de David é imenso. Só nunca demos por isso antes porque estávamos a fitar o mesmo horizonte. Mas ocorre-me de repente que quero ter alguém no meu caminho. Quero uma colisão.

Avaliação: 7/10