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Clarabóia

Clarabóia

12.05.21

A Avó e a Neve Russa | João Reis


Raquel Patrício

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Este livro deixou-me encantada, desde a primeira página. João Reis conseguiu construir uma história sólida e, ao mesmo tempo, tão delicada e bonita que é impossível ficar indiferente.

O narrador da história é um menino de 10 anos, cuja avó se encontra gravemente doente, com cancro do pulmão. Este menino parece não ter noção da gravidade do estado da sua avó - ou prefere não pensar, sequer, na possibilidade de a poder perder. Ele e o seu irmão mais velho, Andrei, sempre viveram sozinhos com a avó, no Canadá. A sua família é natural da antiga União Soviética, tendo sido obrigados a emigrar após o desastre na central nuclear de Chernobyl, responsável pela morte do seu avô. O pai de ambos, abandonou-os muito precocemente; assim como a mãe, que faleceu bastante jovem. Desta forma, a avó foi sempre o amparo destes meninos. Após receber esta notícia tão impactante, este jovem menino decide fazer de tudo para salvar a sua avó. Assim, procura descobrir quais as crenças dos seus vizinhos e amigos e tentar de tudo para que a mesma recupere. Inclusivé, ir numa aventura para encontrar um cacto milagroso, que o mesmo acredita ser a solução.

Na verdade, nem sei ao certo por que razão aqui vim. Talvez tenha sido por seguir as árvores, que estão bonitas nesta altura. Perdem as folhas e continuam bonitas, enquanto as pessoas ficam sem a beleza quando lhes cai o cabelo. Oh, pobre Babushka. E as árvores envelhecem e mantêm-se de pé e aumentam o tronco, mas as pessoas encolhem e encolhem até desaparecerem pressionadas pela idade que têm em cima do corpo; porém, as árvores não se podem mexer e ficam presas à terra e não conseguem fugir, e nisso são parecidas com a Babushka, deitada na cama do hospital, tão pequena, pequenina, se não fosse pelos cabelos brancos quase seria um bebé da maternidade.

O facto do livro ser narrado por uma criança transfere-nos uma visão de inocência e de ingenuidade muito grande, assim como um sentido de humor incrível. O livro lembrou-me bastante "A minha avó pede desculpa", do Backman. É um livro tão mágico, carregado de sentimentos mas, ao mesmo tempo, de uma delicadeza sublime. Não é possível conseguir ficar indiferente à subtileza e beleza deste livro. Tive a sensação que até estava a ler mais lentamente, pois custou-me mesmo terminá-lo. 

Foi um livro maravilhoso de saborear! E, por aqui, quem já o ler?

Avaliação: 9/10

2 comentários

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